Colesterol total elevado - e agora?

O valor absoluto do colesterol total, per se, não significa patologia, doença. O colesterol total pode estar elevado à custa do colesterol bom (HDL), do mau (LDL), dos triglicerídeos (TG) e/ou combinações dos três (hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, dislipidemia mista). Por isso, antes de conclusões precipitadas, recorra ao seu médico assistente / endocrinologista / cardiologista, para que analise todas as fracções e o oriente da melhor forma possível.


O colesterol bom elevado protege-o de eventos cardiovasculares. Já os outros devem estar abaixo de determinados valores e que não são iguais para todas as pessoas, pelo contrário, diferem de acordo com o risco cardiovascular de cada um de nós (excesso de peso / obesidade ? diabetes mellitus ? hipertensão arterial ? fumador ? sedentário ? história familiar de eventos cardiovasculares ? apneia do sono ? esteatose hepática ? entre outros).


O que pode aumentar o colesterol mau (LDL) é sobretudo o tabaco, o sedentarismo, alguns medicamentos e os erros alimentares (além da carga genética). Relativamente à dieta, as gorduras que ingerimos são diferentes umas das outras e há gorduras “boas” e outras “más”.

O consumo de gorduras trans deve ser eliminado da dieta. Estas, estão presentes em alguns tipos de bolachas, chocolates, snacks doces e salgados, molhos, produtos de fast food (pizzas, hambúrgueres, sopas e refeições pré-confeccionadas e congeladas). Existem também em gorduras vegetais modificadas para se apresentarem na forma sólida à temperatura ambiente, como é o caso de alguns tipos de margarina.

As gorduras saturadas estão presentes em alimentos de origem animal, como carne e derivados (chouriços, enchidos, farinheira, morcela), vísceras (fígados, moelas, miúdos), lacticínios gordos e seus derivados e ainda em produtos de pastelaria e confeitaria e devem, também, ser evitadas.

Por sua vez, as gorduras insaturadas são gorduras “boas” encontradas nos peixes gordos e azuis, azeite, frutos secos, óleos vegetais (girassol, linhaça, soja, azeite), sementes e cremes vegetais. Os ómega -3 e -6 são exemplos de gorduras insaturadas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que um adulto saudável pode ingerir até 70 g de gordura por dia, sendo no máximo 20 g de gordura saturada e o restante (50 g) de gordura insaturada.


Como identificar as gorduras? Aprenda a ler os rótulos das embalagens:

Os alimentos possuem no rótulo a indicação da quantidade de gordura total e da quantidade de gordura saturada por 100g de alimento e por porção, assim como a percentagem da dose diária recomendada. Se a quantidade de gordura total for muito semelhante à quantidade de gordura saturada, é porque a gordura presente é toda de “má” qualidade (saturada) e, como tal, deverá procurar outro alimento onde a diferença seja superior (menos gordura saturada e mais gordura insaturada, portanto).

Gordura / Lípidos:

  • baixo teor: 3g ou menos

  • médio teor: entre 3 g e 17,5 g

  • alto teor: mais de 17,5 g

Gordura Saturada:

  • baixo teor: 1,5 g ou menos

  • médio teor: entre 1,5 g e 5 g

  • alto teor: mais de 5 g


O que posso fazer para baixar o colesterol LDL?

  • Caminhe, 30 minutos por dia

  • Não fume

  • Leia os rótulos

  • Evite as gorduras saturadas e as gorduras trans

  • Prefira as gorduras insaturadas

  • Cozinhe astutamente - cozer, assar, preparar no vapor, grelhar e retirar todas as gorduras visíveis da carne e do peixe.

  • Evite fritar mas se o fizer escolha as gorduras adequadas - use óleos vegetais, como girassol, linhaça, amendoim e o azeite

  • Consuma:

- Diariamente: hortaliças de cor escura ou saladas, bem como sopa de legumes, e frutas ricas em fibra, para ajudar a diminuir a absorção do colesterol a nível intestinal

- Regularmente: peixes ricos em ómega-3 (salmão, sardinha, cavala, atum, dourado, chicharro)

- Moderadamente: nozes, avelãs e sementes de linhaça e chia



Por sua vez, os triglicerídeos têm a ver com outra qualidade de alimentos. São fruto sobretudo do excesso de açúcares (presente em fruta em excesso, refrigerantes, álcool) e farinha branca, de trigo, salgados, pizza, massa branca, pão branco, bolos, produtos de pastelaria e confeitaria, biscoitos e bolachas, sobremesas (além da carga genética, claro, que aos genes, para já, ninguém foge).

É necessário, igualmente, praticar exercício físico, aumentar a ingestão de fibras e cereais integrais, gorduras insaturadas, abolir os doces e os açúcares adicionados, refrigerantes e álcool, doçarias e preferir sempre os alimentos integrais e ricos em cereais, ao invés dos brancos.

Relativamente à fruta, coma cerca de 3 peças por dia, respeitando as duas dimensões. Pode comer todas as frutas, desde que respeite as quantidades. Assim, assumimos como uma peça de fruta 50g de banana, uva, figo, diopiro; 100g de maçã, kiwi, damasco, ameixa, pêssego, laranja, pêra, tangerina, manga, cerejas e ananás; e 200g de morangos, framboesas, amoras, mirtilos, papaia, melão, meloa, melancia; meio abacate / meia manga; 150 mL de sumo de fruta natural (portanto um sumo de 450mL, mesmo sendo natural, já são as três peças de fruta diárias, sem a vantagem da ingestão da fibra que é desperdiçada na confecção dos sumos, excepto se o fizer em casa e colocar tudo num liquidificador e fizer ao estilo smoothie com gelo e sem adição de açúcar claro).

Ficaram algumas dicas, agora, é passar à prática!

A logística das viagens na pessoa com diabetes mellitus

Em véspera de viagem para fora do País, lembrei-me de partilhar alguns conselhos que possam ajudar a organizar o período pré-férias, sobretudo nas pessoas com doenças crónicas, como o é a diabetes mellitus.

Viajar requer planeamento, organização e antecipação. Ter diabetes mellitus requer apenas uma rotina especial e atenção detalhada a alguns pontos chave, mas, acima de tudo, desfrute das suas férias, em segurança. Assim, nunca esqueça:

1 - consulta atempada e prévia com a equipa clínica assistente

2 - consultada do viajante (quando necessário) - tenho especial deferência e admiração pela Drª Sara Xará

3 - declaração médica, preferencialmente também em inglês, para o aeroporto e para o País de destino, assim como relatório médico actualizado (pelo menos em inglês), discriminando a medicação completa e assegurando que a pessoa possa transportar consigo todos os dispositivos médicos, comida / bebida, fármacos em dose suficiente e embalagem de refrigeração / outras de armazenamento e eliminação de objectos afiados (agulhas e lancetas)

4 - seguro de viagem (da sua seguradora habitual, ou internacional - a world nomads é uma das minhas preferidas)

5 - contactos telefónicos (incluindo nome e parentesco) na língua do País para onde se viajar e em inglês, para contacto em caso de urgência / emergência

6 - medicação suficiente (e até um pouco mais) e nunca na mala do porão (levar sempre connosco os nossos fármacos, caso a mala de porão se perca) e preferencialmente distribuída entre o próprio e alguém com quem viajar (por forma a garantir uma reserva)

7 - glucotabs, pacotes de açúcar, snacks, bebidas açucaradas, glucagen

8 - contactos de hospitais e associações para pessoas com diabetes no País de destino

9 - se não viajar sozinho, alguém do grupo tem que saber como proceder em caso de qualquer sintomatologia que surja / urgências / emergências e tem que saber manter a calma, estar preparado e saber actuar atempadamente

10 - solução de hidratação oral, anti-diarreicos e medicamentos para o enjoo

11 - considerar pedir refeições especiais para diabetes nos locais de destino / meios de transporte que utilizar (ou outras restrições alimentares, se aplicável) / consultar com o nutricionista assistente para adaptar o plano alimentar às opções no país de destino

Se um dos tratamentos para a diabetes mellitus for insulina, não esquecer de levar a insulina usual, o folheto informativo da insulina e a embalagem vazia da mesma, agulhas, cartuchos ou canetas, bombas ou dispositivos de reserva, glicómetro e tiras teste de glicemia e de cetona, dispositivo para picar o dedo e lancetas, snacks e bebidas açucaradas. A insulina deve ser conservada no frio, entre os 2 e os 8 º C, sem congelar (a insulina pode congelar no porão do avião). Após o início da sua utilização, pode ser conservada à temperatura ambiente (<30ºC e longe do calor e da exposição à luz directa) e por um máximo de 28 dias.

E, acima de tudo, umas Boas Férias!

Substituir o sal na alimentação

Num post prévio, sobre qual a melhor dieta, referi que a ingestão de sal deveria ser limitada. Mas tem sido uma questão frequente na minha consulta - o que usar em sua substituição? como manter a comida apetitosa, com pouco sal?

Eu sugiro o uso de sumo de limão, vinho e, sem dúvida, especiarias e ervas aromáticas. Deixo-vos algumas dicas do que utilizo na cozinha e para que efeito:

  • açafrão - para carnes, aves, arroz, massas

  • aipo - para sopas, caldos de carne, estufados e cozidos de carne

  • alecrim - para marinadas, carnes de porco, aves e coelho

  • alho - para tudo

  • canela - para carnes de vaca / boi (embora confira paladar adocicado, condiz com noz-moscada e pimenta)

  • caril - para aves, ovos, peixes, mariscos, moluscos

  • colorau - para marinadas, estufados, assados

  • cebola - para tudo

  • cebolinho - para saladas, ovos, queijo, salmão, sashimi

  • coentros - para sopas, açordas, arroz, massas, leguminosas, saladas, legumes

  • cominhos - para estufados, leguminosas, carnes de porco

  • cravinho - para marinadas, estufados, molhos, bolonhesa

  • funcho - para peixe

  • gengibre - para sopas de peixe, saladas, estufados

  • gergelim - para arroz, saladas

  • hortelã - para carnes, sopas, saladas, massas (condiz muito bem com salmão)

  • louro - para tudo

  • mostarda - para carnes, marinadas

  • noz-moscada - para molhos (bechamel, bolonhesa), puré de batata, carnes, marinadas, estufados

  • oregãos - para saladas, tostas, estufados de carne, pratos de peixe, massas

  • pimenta - para tudo

  • piri-piri - para tudo

  • rúcula - para saladas e massas

  • salsa - para tudo

  • tomilho - para peixes (condiz muito bem com bacalhau, moluscos, salmão)

Vão experimentando, testando os paladares, e adaptem ao vosso gosto!

Batata ou Batata Doce ?

Porquê a moda da batata doce? A batata “tradicional”, chamemos-lhe assim, afinal, é a má da fita?

Não, de todo. São ambas bons alimentos e saborosos. São apenas diferentes.

Por 100g de batata doce:

  • 89 calorias - 20 g hidratos carbono, 2 g proteína, 0,1 g lípidos

  • 258 mg de magnésio

  • 14 187 UI vitamina A

Por 100g de batata “tradicional”:

  • 77 calorias - 17 g hidratos de carbono, 2 g proteína 0,1 g lípidos

  • 19,7 g de vitamina C

A diferença reside na saciedade provocada por uma ou por outra e na velocidade com que aumentam os açúcares na corrente sanguínea, após a sua ingestão, e é nesses campos que a batata doce vence a batata “tradicional”.

Porque é que, às vezes, o nosso plano falha?


Escrevi o último post a pensar, precisamente, nestes dias que antecedem as Festas e para contornar o eventual sentimento de falha que possa existir, associado aos excessos da quadra Natalícia. Mas, a minha sincera opinião, e verdade seja dita, nos dias mesmo mesmo de Festa não podemos, de todo fugir (e nem seria mentalmente saudável). Por isso, não sintam culpa e desfrutem de tudo, nesta época tão familiar, em que os serões são vividos à mesa, com oração e coração, e sem silício nem sermão. Sigam apenas os conselhos que vos dei nestas semanas que antecedem o Natal / Ano Novo e aproveitem cada segundo vivido, porque o tempo, esse, não volta para trás.


Às vezes o nosso plano pode falhar porque não conseguimos arranjar estratégias de antecipação nem de acção. Há coisas na vida que não conseguimos planear e que nos fogem do controlo (é mesmo assim a vida, senão seria pura matemática aplicada). Portanto, até ao Natal, já têm as ferramentas para agir. E noutras alturas? Como podemos fazer com que o nosso plano não falhe? Deixo-vos 7 conselhos:

1) respeite as quantidades de comida descritas (apenas o mencionado)

2) beba 2 litros de água por dia

3) faça exercício, pelo menos 30 minutos, 3 x por semana

4) tenha um sono descansado e reparador

5) faça um registo de peso semanal

6) consistência e perseverança 

7) utilize a regra dos 80/20 - em que consiste? ora, se cumprir o plano do dia direitinho, nesse dia pontuou 100; cada pequeno deslize pontua -20 (entenda-se, por um deslize, um (UM) copo de vinho, dois copos de vinho já são DOIS deslizes (-40), uma (UMA) fatia de pizza, um (UM) bolo, etc.) Faça a sua auto-gestão durante a semana (segunda / terça / quarta / quinta / sexta / sábado / domingo) por forma a que, no final da semana, tenha pontuado 80 de plano cumprido e 20 de deslize (ou seja, ou um deslize todos os dias, ou um dia sem deslize, e no dia seguinte dois deslizes, e por aí em diante; sempre ciente que no final da semana, a regra tem que ser respeitada, 80/20).


Beijinhos!



Até ao Natal...

Plano simples para fazer até ao Natal:

1 - não comer bolachas nem bolos nem doçarias nem produtos pré-confeccionados nem produtos de pastelaria e confeitaria (bolos, folhados, fritos) nem fast food

  • quando tiver fome coma 2 tostas integrais ou meio pão de centeio/cereais/mistura ou 3 bolachas finn crisp ou 2 bolachas milho/arroz/marinheiras com queijo magro ou fiambre com pouco sal e pouca gordura ou com omolete de claras ou com 1 lata de atum ao natural

2- não beber refrigerantes, sumos, bebidas alcoólicas, detoxs nem drenantes

  • alternativa: comer a fruta e beber água, simplesmente, ou chá sem açúcar

3 - caminhar 30 minutos por dia , 3 x por semana

  • são 90 minutos por semana, uma hora e meia por semana; almoce mais rápido e caminhe, use as escadas, caminhe até ao emprego, faça todos os corredores do supermercado, mas caminhe, em plano, sem cansaço e sem dor, se necessário

4 - não comer sobremesas doces

  • se vontade de comer um doce como sobremesa, opte por uma gelatina de dieta, um iogurte gelatinado, um cubo de chocolate negro, um gelado da SKYR, 2 bolas de gelado do pingo doce, da marca pura vida (embalagem branca) ou 1 ferrero rocher (quem consegue resistir?)

5 - não saltar o lanche

  • não o faça, para que não chegue à hora de jantar esganado de fome

6 - comer o mínimo possível ao jantar, sem esquecer todos os macro e micro nutrientes essenciais a uma alimentação saudável

7 - beber 2 a 3 litros de água por dia (pessoa saudável)

8 - comer pelo menos um iogurte por dia

9 - não esquecer os legumes e as hortaliças e fruta variada (3 peças por dia)

10 - comer 3 (3 mesmo) frutos secos por dia (por exemplo como complemento do lanche ou quando chegar a casa com muito apetite ao final do dia, com um queijo magro, para que não repita o jantar

Há um velho ditado (e muito sábio) —- “o que engorda é o que fica na travessa, sirva-se uma vez e pouca quantidade, não mais, senão depois a barriga cresce, cresce e cresce”

Beijinhos e um bom fim-de-semana! Não se percam (muito) na Black Friday

Dia Mundial da Diabetes

Comemorou-se ontem, dia 14 de novembro, o dia mundial da diabetes, em memória de Frederick Grant Banting que descobriu, juntamente com Charles Best, a insulina (1921, no laboratório do professor de fisiologia John J. R. MacLeod).

Em 11 de janeiro de 1922, Leonard Thompson, de 14 anos, em estado crítico, foi o primeiro doente a ser tratado com insulina. Em 1923 Frederick Banting e John MacLeod receberam o Prémio Nobel da Fisiologia/Medicina, pela descoberta da insulina.


Todos os anos, a Federação Internacional da Diabetes (Internacional Diabetes Federation – IDF - https://www.idf.org) escolhe um tema para sensibilizar e chamar a atenção para a vivência das pessoas com diabetes e o tema eleito, este ano (2018 – 2019), diz respeito à Família das pessoas com diabetes (Diabetes concerns every family - https://www.worlddiabetesday.org).


A IDF estima que (http://www.diabetesatlas.org)

- existam 425 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo (1 em cada 11 adultos) e que metade desconheça o diagnóstico (212 milhões),

- 2/3 da população com diabetes sejam adultos com idades 20-64 anos (327 milhões),

- 2/3 da população com diabetes viva em áreas urbanas (279 milhões),

- 1 em cada 6 nascimentos sejam afectados por hiperglicemia durante a gravidez,

- mais do que 1 milhão de crianças e adolescentes tenham diabetes mellitus tipo 1.


Em Portugal, de acordo com o Relatório do Programa Nacional para a Diabetes (2017), estima-se que:

- a diabetes afecte 13,3% da população com idades compreendidas entre os 20-79 anos e que 44% desconheçam ter a doença,

- diariamente sejam diagnosticados cerca de 200 novos doentes,

- a diabetes afecte mais de 1 milhão de pessoas,

- a «pré-diabetes» afectará cerca de 2 milhões de pessoas.


A diabetes é uma doença crónica, associada a complicações cardiovasculares, aumento da morbi-mortalidade e custos sociais elevados, pelo que o caminho faz-se construindo uma rede integrada e multidisciplinar e apostando na Prevenção, Diagnóstico e Tratamento atempados.

Em caso de dúvida, consulte o seu Médico de Família ou um Endocrinologista.

Síndrome do ovário poliquístico

A síndrome do ovário poliquístico é a endocrinopatia mais frequente da mulher em idade reprodutiva e afecta mais de 10 milhões de mulheres em todo o mundo. O espectro da doença é muito heterogéneo, o que torna o seu diagnóstico difícil e desafiante, causando ansiedade e depressão, com consequente diminuição da qualidade de vida.

Caracteriza-se por hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico e/ou disfunção ovárica e/ou morfologia ovárica poliquística. A patogenia resulta de múltiplos factores, desde disfunção ovárica, alterações neuro endócrinas, polimorfismos genéticos, moduladores epigenéticos e aumento da gordura armazenada de forma ectópica (com aumento da adiposidade visceral e hepática, insulinorresistência e excesso de androgénios). Por isso mesmo, a síndrome está também associada a alterações metabólicas (como excesso de peso / obesidade e diabetes mellitus tipo 2, com consequente aumento do risco cardiovascular).

A sintomatologia passa por irregularidades menstruais (1-3 anos após a menarca, idade com que vem o período pela primeira vez, ciclos menstruais < 21 dias ou > 45 dias; > 3 anos após a menarca, ciclos menstruais < 21 dias ou > 35 dias), amenorreia secundária (1 ano após a menarca, > 3 meses sem vir o período), acne, hirsutismo (pêlo terminal em zonas masculinas), pele oleosa e alopécia androgénica.

O tratamento reside na administração de contracepção oral hormonal combinada segura e de baixa dose, tratamentos dirigidos à clínica / estética, metformina como insulino-sensibilizador e perda de peso, assim como, quando necessário, apoio psicológico e tratamentos de fertilidade. A avaliação deve ser, pois, multidisciplinar e integrada, sendo essenciais as especialidades de ginecologia, endocrinologia, dermatologia, nutrição e psicologia.

Obstipação - o que fazer ?

A obstipação é uma queixa frequente na consulta médica e afecta todas as idades. Deve ser avaliada, pois poderá ser sinal de patologia e poderá ser fonte de patologia. Um dos pilares do tratamento é a alteração dos hábitos alimentares e dos hábitos de vida diários. Deixo algumas dicas neste sentido.


1 - Líquidos - pelo menos 2 litros de água por dia (sem adição de açúcar)

2 - Exercício físico regular - pelo menos 30 minutos por dia

3 - Iogurtes ou leites fermentados - lactobacilos acidophillus e Bifidobactérias

4 - Fibras

Existem dois tipos de fibras: as solúveis que atraem a água, atrasam a digestão e a velocidade de absorção dos nutrientes e as insolúveis.

Pode encontrar fibras nos sgeuintes alimentos: na parte interior das leguminosas (ervilhas, lentilhas feijão, grão, favas), na aveia, na cevada, nos flocos / gelatinas de agar-agar, nos frutos secos (ameixas ou figos secos - por exemplo 4 a 6 unidades demolhadas em água), nas sementes (linhaça, chia, sésamo, abóbora), no farelo de trigo, nas frutas (ameixa, kiwi, manga, laranja, toranja, framboesa, morangos, ananás/abacaxi, pêssego, maçã, entre outros), nas hortaliças (as de folha verde sobretudo) e nos cereais integrais. Embora todas as verduras e cereais integrais contenham fibras, são especialmente eficazes os seguintes: pão escuro com sementes, pão de trigo germinado, pão Ezekiel, pão shape e flocos / farelo de aveia.

A adição de fibras na dieta deve ser efectuada de forma progressiva. Se ocorrer distensão abdominal, reduza a dose de fibras e o consumo de alimentos mais susceptíveis à fermentação intestinal, como feijão, repolho, ervilhas, amendoins e soja, maçãs, uvas e passas.

A alimentação na pessoa com diabetes mellitus

Com ou sem diabetes mellitus, deve ser objectivo dos profissionais de saúde, incutir aos seus utentes hábitos de vida saudáveis, que passam, de uma forma geral, pela alimentação, pelo exercício físico e pela melhoria da qualidade do sono, redução dos níveis de stress e evicção de tabaco, álcool em excesso e estupefacientes.

Embora a alimentação da pessoa com diabetes mellitus seja, grosso modo, a recomendada para a população em geral, existem alguns cuidados a ter.


Os principais objectivos do tratamento da diabetes mellitus são o controlo da hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) e a redução (abolição idealmente) das complicações vasculares que lhe advêm; assim como, melhorar o perfil lipídico e normalizar a tensão arterial mas também atingir um peso adequado à pessoa em questão. Assim sendo, o plano alimentar, deve ser elaborado de acordo com as necessidades específicas da pessoa (idade, gravidez, lactação, crenças, doença hepática/renal crónica, entre outros exemplos) - o que se pretende então ? que não haja restrição/excesso de macro-/micro- nutrientes, o equilíbrio portanto.


De uma forma geral, falamos de:

Hidratos de carbono - sobretudo os integrais e com baixo índice glicémico (ver por favor o post dos frutos secos, para perceber um pouco melhor este conceito). O consumo de fibras (frutos, hortícolas, cereais integrais) é fundamental, uma vez que ajuda a baixar os níveis de glicose no sangue. Uma refeição rica em fibras permite que a absorção de nutrientes ocorra num período de tempo mais longo (com libertação gradual dos açúcares). Além disso, ajudam a melhorar o trânsito intestino e a reduzir a sensibilidade à insulina após uma refeição. Para que este efeito ocorra, é necessária a ingestão de 30-50 g de fibra por dia.

Frutos e hortícolas - além do já referido, são ricos em antioxidantes e fitoquímicos, combatendo os radicais livres. Recomenda-se sobretudo os hortícolas de folha verde-escura (espinafres, agrião, rúcula, couve portuguesa, grelos, nabiças, etc), assim como alimentos ricos em vitamina C (kiwi, morangos e citrinos), em betacaroteno (cenoura, nabo, batata doce, abóbora, alface, manjericão e salsa), em polifenóis (mirtilo, groselha, azeitona preta, ameixa, cerejas e morangos) e em magnésio (abacate, banana e figos).

Proteínas - é importante a ingestão adequada (cerca de 20% das necessidades energéticas totais), uma vez que a proteína aumenta a resposta à insulina, sem aumentar a concentração de glicose no plasma, mas sem exagerar no seu consumo, sobretudo quando há complicações vasculares (como nefropatia diabética). Recomenda-se o consumo de proteínas completas como ovos, peixe (sobretudo o rico em ómega-3 - salmão, atum, sardinha e pescada-, uma vez que ajuda a controlar a glicemia, aumenta a sensibilidade à insulina e reduz o risco das doenças cardiovasculares), frango e laticínios magros.

Colesterol e gorduras saturadas e trans - limitar, ao máximo (reduzir a < 7% do valor energético diário total e quanto mais baixo, tanto melhor).

Sal - reduzir e substituir por ervas aromáticas e especiarias, que conferem sabor aos alimentos e pratos; além disso, são também fonte de vitaminas e minerais.

Açúcar - reduzir o consumo de açúcares (adicionado a sólidos mas também não esquecer o açúcar adicionado nos líquidos, como refrigerantes, néctares e bebidas energéticas e nos processamentos alimentares).


Uma alimentação saudável e equilibrada faz parte do tratamento da pessoa com diabetes mellitus, em conjunto com a actividade física e a medicação, por forma a prevenir as complicações vasculares. A adopção deste comportamento não implica, de todo, que a dieta deve ser restritiva e monótona. Pelo contrário, deve ser variada e rica nutricionalmente! Beijinhos